Este blogue é um ponto de encontro com amigos desconhecidos que se reconhecem nas palavras e nos gestos, aqueles por vezes tão comuns que deixamos de reparar, até alguém nos voltar a falar deles, como se fosse a primeira vez.

Música

3 de julho de 2017

O caminho de volta



A minha Avó - 1920







"Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo (...)"

Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)








Há um momento na vida, talvez até mais que um, em que sentimos que precisamos de descobrir mais sobre nós, em que precisamos de respostas, em que nos procuramos e sentimos que há respostas algures sobre nós nesse passado longínquo.

Queremos analisar cada sorriso, cada olhar, para ver qual é o mais parecido com o nosso, para perceber de onde veio cada um dos pequenos pormenores que nos completam como pessoa.

De um dia para o outro procuramos peças de um puzzle, a nossa identidade, queremos conhecer as nossas raízes e as raízes das nossas raízes. Tudo o que sabíamos até então já não chega, precisamos de mais sobre nós.

Como se procurássemos um caminho de volta. Mas para onde? Que procuramos nós realmente?
Há momentos na vida em que nos sentimos perdidos, desorientados, como se nos faltassem pedaços, pequenos grãos nossos que ficaram espalhados pelo caminho da vida. Caminho que começou muito antes de nascermos, um caminho que continua, mas para trás no tempo. Conhecer quem nunca conhecemos, ouvir quem nunca ouvimos, ver quem nunca vimos, perceber o que nunca percebemos, saber coisas que nunca soubemos... Porque fazem parte de nós.
E nos dias em que não vemos para além no futuro, esperamos que haja uma resposta para nós no passado, por mais longe que esteja... Aquilo que procuramos pode estar em qualquer lugar, em qualquer tempo, em qualquer pessoa, em qualquer objecto, em qualquer pedaço de vento, de terra ou de pó...
O que procuramos nesses dias em que precisamos reencontrar-nos, saber tudo, sentir tudo de todas as maneiras, o que procuramos que é tão importante quanto a vida, é a Esperança.
Sem ela o sangue correria nas veias mas estaríamos mortos, sem ela não viveríamos. E nesses dias em que nos sentimos perdidos, em que não vemos além no futuro, em que precisamos tanto dela, voltamos atrás para a encontrar, no passado, porque ela existia dentro de nós, só precisamos descobrir como a reacender através do mais pequeno grão de pó que nos pertence, que é nosso, que somos nós, desde muito antes de existirmos.

26 de junho de 2017

Conchas com Legumes e Gambas Salteados




Azeite
Cebola picada
Alho picado
6 pedaços de delícias do mar
Meio pacote de gambas
1 curgete
¼ de Pimento vermelho
2 cenouras pequenas
Massa de conchas




Fazer um estrugido numa grande frigideira anti-aderente.
Quando alourar bem adicionar a curgete fatiada em quartos e depois o pimento vermelho em pedacinhos pequenos. Deixar alourar um pouco, ganhar molho e sabor e depois juntar as gambas misturando, o alho picado, depois as delícias fatiadas e, por fim, a cenoura raspada.
Deixar no lume mais uns dez minutos, sacudindo a frigideira de vez em quando.
Numa panela com água colocar as conchas a cozer 10 minutos, até ficarem al dente. Escorrer bem e misturar na frigideira com o molho dos legumes e as gambas.

24 de junho de 2017

Bolo de Iogurte com Ananás



As pessoas que conheço costumam colocar óleo nos bolos. Eu não gosto da gordura que o óleo impregna na massa do bolo por isso não uso, quando quero dar uma maior macieza uso planta. Mas fica ao gosto de cada um.



6 ovos inteiros
250gr açúcar
2 c.s. de Planta
150gr farinha
2 c.chá de fermento
3 iogurtes naturais sem açúcar
Ananás
Crème fraîche
Açucar em pó
Chocolate de culinária



Bater os ovos e o açúcar, juntar aos poucos os restantes ingredientes batendo e misturando sempre. Primeiro a planta, depois a farinha e o fermento, de seguida os iogurtes.

Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Forrar uma forma aberta no meio com manteiga e farinha, enchê-la com o preparado anterior.
Colocar no forno a 150ºC durante 30 minutos com calor só por baixo + 10 minutos a 150/160ºC no sistema de aquecimento giratório.

Misturar o crème fraîche com uma colher de sopa de açúcar em pó.
Quando arrefecer cortar o bolo na horizontal e rechear com crème fraîche e ananás cortado em pequenos bocadinhos, juntar as duas partes e repetir o mesmo na parte de cima do bolo.


Opção: Decorar com chocolate raspado

19 de março de 2017

Double Sweet

Mais fácil é impossível :) 

Camada Inferior:

1/2l de leite + 150g de açúcar + 2 gemas + 2 c.s. cheias de maizena

Bater as gemas e depois o açúcar nas gemas. Diluir a maizena no leite e misturar tudo. 
Numa tigela própria, levar ao microondas.
Deixar cozer 3 minutos, retirar e bater com a colher de varas a mistura para não ganhar grumos. Repetir este processo mais duas vezes.
Dispor em tacinhas e polvilhar com canela e côco se gostarem.


Camada Superior:

1/2l de leite + 150g de açúcar + 2 c.s. rasas de maizena + 3 barras de chocolate de culinária ou outro. 

Amolecer as barras de chocolate durante 30 segundos numa tigela.
Diluir a maizena no leite e adicionar o açúcar. Juntar tudo à tigela com o chocolate ligeiramente amolecido e levar ao microondas.
Repetir o processo anterior. Deixar cozer 3 minutos, retirar e bater com a colher de varas a mistura para não ganhar grumos por três vezes.
Colocar nas tacinhas por cima da camada de creme anterior e polvilhar com cacau em pó, chocolate raspado ou côco e bolacha ralada se gostarem.

13 de março de 2017

O tempo





Era pequena quando vi este filme de 1960 com os meus pais, na altura nem parecia um filme muito antigo como parece agora, acho que em 80 não tinha havido uma grande evolução no cinema como houve depois até ainda agora. Mas lembro-me de imensos pormenores deste filme fantástico, marcou-me pela positiva, pelo facto de criar na minha imaginação uma possibilidade de poder viajar no tempo, tanto para o passado para ver tudo o que tenho curiosidade de saber, como para o futuro para espreitar um pouco do que gostava de saber.

Mas afinal o que é o tempo?

Devemos contorná-lo? Deixá-lo passar? Atravessá-lo e observá-lo conforme passa? Ou será que podemos ser parte dele, mudá-lo, recriá-lo, vivê-lo e senti-lo?

Um dia, cada um de nós, perguntará, "Então, o que é o tempo?" Porque é que precisamos de tempo para tudo, porque é que tudo tem um tempo... 
Será ele uma ilusão, uma percepção ou uma realidade?

Ele persegue-nos ou caminho connosco?
Devemos chorar por ele ou desejá-lo?

Poderemos nós abrandá-lo ou fugir dele?
E se isso fosse possível será que desejaríamos mesmo fazê-lo, sabendo todos os riscos, tudo o que poderíamos perder e sofrer com a metamorfose dos eventos?
 
Seriam realmente, os biscoitos das nossas avós ou o leite-creme das nossas mães os melhores do mundo? Ou não terá sido o tempo que transformou aquele aroma, no aroma da nossa infância?

Serão as nossas memórias do passado realmente mágicas ou foi a impossibilidade de voltar atrás no tempo que as tornou mágicas?...

Eu penso que, apesar do tempo nos trazer saudades e nos impedir de voltar a sentir algo, haverão memórias que serão sempre mágicas, inesquecíveis, intemporais. Memórias até que, muitas vezes, nós próprios não recordamos, não sabemos que existem, e basta um som, um cheiro, uma música, uma cor, uma gota de chuva, para nos reencontrarmos com uma memória escondida ou que julgávamos há muito esquecida. 

Não é, somente, o tempo que transforma pedaços do nosso passado em momentos encantados. Há memórias que, por si só, transcendem e transcenderão sempre todos os tempos.

S.R.

20 de fevereiro de 2017

Mãe




















Quem disse que nos podem rasgar o coração?
Tirarem-nos os pés do chão
Inundarem-nos os olhos de lágrimas
Que não podem sair
Os filhos sofrem 
A mãe sofre
O coração bate tão depressa
E acelera a cada lágrima
Que se inibe sem liberdade
Por cada palavra guardada
Escondida
Silenciada
E o coração da mãe dói
Abraçando os filhos com medo
Pedindo um milagre
Por eles, o que tem de mais sagrado
Nada mais importa
No seu mundo destroçado
Senão proteger os filhos
Com todo o amor do seu coração rasgado


S.R.

9 de novembro de 2016

Bolo de Iogurte com Maçã e Canela

Hoje foi dia de invenções doces! Com o frio e a chuva, apetecia-me algo reconfortante, lembrei-me das tartes de maçã que a minha mãe me fazia em pequena e do cheiro a canela que me lembra sempre o Natal e pensei, porque não? Aqui está o resultado. Mais que delicioso e reconfortante ;) 

Ingredientes:
1 colher de sopa de Planta
250gr de açúcar
5 ovos
250gr de farinha
3 iogurtes gregos com pedaços de maçã e canela
1 colher de sopa de canela em pó
2 maçãs sumarentas e doces

Bater a planta com o açúcar, juntar os ovos e voltar a bater. Adicionar a farinha lentamente e por fim os 3 iogurtes gregos. Bater novamente tudo. Forrar uma forma com papel vegetal e despejar a massa. Polvilhar o topo com a canela, e com a ponta dum garfo fazer movimentos circulares no topo de forma a misturar ligeiramente a canela e a massa. Fatiar 2 maçãs doces e cobrir a massa. Forno previamente aquecido.
Colocar a 140ºC durante 40/50 mins na parte inferior do forno, com calor só por baixo, desta forma a parte de cima do bolo ficará húmida e deliciosa ;)

12 de outubro de 2016

Somos camaleões, somos os outros



Como aguentar viver num Mundo em que nem nós próprios somos reais?
Todos nos mentem, de propósito ou inconscientemente.
Somos influenciados por tudo e por todos à nossa volta e temos que agir em conformidade com tudo, com a sociedade, com os padrões x e y, com as regras xpto.
Temos que ser uma pessoa no emprego, outra pessoa no supermercado, outra pessoa no café, outra pessoa com os amigos, outra pessoa com os pais, outra pessoa com o companheiro, outra pessoa com os filhos... Mas e nós? Onde estamos nós? Como conseguimos saber quem realmente somos?! 
Ao fim de algum tempo a nossa essência, as coisas que nos acendem, que nos fazem arder, que nos fazem sorrir, as coisas mais profundas pelas quais sentimos paixão, ficam tão escondidas, esquecidas, apagadas, muitas delas perdidas para sempre...
Somos camaleões, mudamos, ou para agradar os outros, ou para não sermos rejeitados pelos outros, tantas razões que nem sequer pertencem à razão...
Querermos ter um pouco de nós vivo é egoísmo? Qual será o dia em que decidimos que temos que ser os outros?... Nós somos os outros? Infelizmente somos, quando mudamos por eles. Somos estranhos dentro de nós próprios muitas vezes... Mas nós não devemos ser os outros, nós temos que ser nós.
Há um dia em que precisamos tomar essa atitude, temos essa obrigação connosco, devemos procurar bem dentro de nós quem realmente somos, fazer o que mais adoramos fazer, ser quem sentimos que somos.
De que serve viver a vida se a vivermos camuflados? Escondidos de nós próprios. De nada... Se não estivermos felizes por dentro, nunca estaremos felizes com a vida, nunca seremos capazes de dar um sorriso genuíno, e por mais que sejamos visíveis e fisicamente palpáveis, seremos apenas aquilo que os outros vêm e não aquilo que somos verdadeiramente. Se não formos nós próprios, NUNCA SEREMOS REAIS.

S.R.

12 de maio de 2016

A minha própria porta mágica


Há alguns anos atrás era tudo muito mais simples... É verdade que eu era mais nova e a vida parece mais simples quando somos ainda raparigas, mas isso é uma história para outro dia.

Naquele tempo, não há muito, talvez há uma década e meia, não tinha internet nem google, apenas uma máquina de escrever, com a sua própria porta mágica para o desconhecido e maravilhoso mundo.

O cheiro da tinta cravada no papel, o mistério da palavra seguinte, apenas os meus dedos e a minha imaginação, palavra a palavra, eu criava os meus próprios sonhos, eu delineava um percurso imaginário sem olhar para trás.

Agora, o computador faz isso (sem a fragrância da tinta) e mil outras coisas mais, mas distrai, e pior, torna-nos dependentes.

Eu abro o meu portátil, espero, faço login, abro o Word, espero outra vez, e, ali estão elas, inúmeras possibilidades, tipo de letra, tamanho, estilo, alinhamento, espaçamento, margens, etc etc etc, nunca mais acabam, nunca nos sentimos verdadeiramente satisfeitos porque a escolha não tem limites. Além disso, quando finalmente nos habituamos ao programa e sabemos os sítios de cada opção quase de olhos fechados, lançam um novo Microsoft Word, com todas as opções e muitas muitas mais (que nem sequer precisávamos realmente), todos elas agora dispostas em sítios diferentes no programa... bem... um desperdício de tempo e energia ...

Depois temos a internet e os motores de busca ... Já não se consegue fazer quase nada sem consultar o google primeiro, apenas porque está ali e sentimos que nos dá todas as respostas e certezas, mas não é verdade, não pode responder tudo, podemos pesquisar e pesquisar, mas o que está dentro de nós é só nosso e só nós podemos ver e descobrir, nem google, wikipedia, ou outro qualquer, poderá responder sobre o que sentimos, precisamos ou queremos ...

A minha máquina de escrever era a minha máquina do tempo, num instante eu podia estar em qualquer momento e em qualquer lugar da minha imaginação. Sentia-me em harmonia, podia ouvir as folhas das árvores a cair através da janela, o vento a soprar nas caleiras, a minha própria respiração, enquanto carregava em cada uma das suas teclas como se fosse um piano e cada letra uma nota a dar vida a uma nova música.

Mas mais importante que tudo isto, eu podia ouvir-me a mim, os meus pensamentos, as minhas ideias, o mais profundo do meu ser, sem perguntas, sem incertezas, sem interrupções, podia ouvir-me a mim, apenas a mim.

S.R.

23 de março de 2016

Pausa






Tenho saudades dos tempos simples. Dos tempos em que ainda andava no liceu, sem telemóveis, nem internet... Parece que foi há tanto tempo atrás... Mas não foi assim tanto.
Desde que apareceram os primeiros telemóveis e a internet, que se deu uma aceleração em bola de neve, o ritmo das mudanças tornou-se cada vez mais rápido e o fosso que separa o presente desse passado, não muito longe, é cada vez maior...

Era tão bom quando saía da escola ao fim da tarde e contemplava o pôr-do-sol à minha frente, sentir o vento no cabelo, conversar com os amigos... Até sabia bem acordar cedo ao domingo de manhã e ir dar uma volta à beira mar. Agora é tudo muito mais "complicado". Os bip bip dos telemóveis, das mensagens sempre a chegar e a internet para "conversar". Estamos completamente aprisionados...

Há dias que passam e me esqueço de olhar para o Céu, há minutos que passam e me esqueci de abraçar alguém importante porque estava a olhar para o telemóvel...

Não quero ser assim, quero viver a vida, aquela que tem cheiro, paladar, cores de verdade e textura. Aquela que não somos nós que escolhemos, nem controlamos, aquela que em vez de fazermos like no telemóvel ou no computador, podemos mostrar um sorriso e transmiti-lo de verdade, quando vemos algo engraçado.

Como seria uma semana sem telemóveis, sem redes sociais e sem emails? Gostava de saber, será que seríamos capazes de o fazer?

Dado o tempo que tudo isso nos ocupa devia ser criada a semana internacional da diversão, em que ninguém mexia no telemóvel, no email ou abria as redes sociais.

Uma semana ao ar livre com os olhos postos na vida, no pôr-do-sol, nas gaivotas, nos gatos às janelas, nos cães a correr, nas árvores, no mar. Uma semana em que voltaríamos a usar os nossos 5 sentidos e a sorrirmos uns para os outros de verdade.

11 de março de 2016

Ainda não é tarde demais


 

















Talvez tenhas razão…
Talvez não tenha lutado por ti…
Talvez tenha desistido depressa demais…
Não sei…
Mas se querias que lutasse por ti porque me deixaste?...
Porque me deixaste amar-te tantos anos para um dia me deixares com um bilhete apenas, sem explicação, sem lógica, sem razão…
Não ter lutado não significa que não te amei todos os dias da minha vida porque, sabes, quando li o teu bilhete afiado eu chorei, e chorei todos os dias da minha vida.
Lamento que penses que não lutei por ti, porque eu lutei, lutei para que te sentisses feliz, lutei para te ver sorrir, lutei para te sentires realizado, mas no mais profundo do teu coração, só estavas tu, sempre estiveste tu… e depois, deixaste-me, com um bilhete que eu não conhecia de lado nenhum, um bilhete impessoal, um bilhete tão incompleto que me deixou vazia…
Lamento realmente por não ter lutado mais, mas não por ti, por mim, lutado para gostar mais de mim, para ser feliz, em vez de procurar em cada olhar teu, como uma criança perdida à espera de quatro segundos de atenção…
Lamento ter chorado todos os dias da minha vida por ti, quando podia ter sorrido e vivido…
E só agora percebi, que tu nunca me mereceste, tu nunca lamentaste teres-me perdido, apenas te lamentas, de ti, da vida, de tudo, tu és assim… Tu és o teu centro, e lamento, porque um dia, se deixares de girar em torno de ti, perceberás que já nada nem ninguém existirá à tua volta para te amar…
Sim, eu lamento agora, mas lamento apenas os anos que dissipei a amar-te, e os anos que alaguei a chorar-te, mas ainda não é tarde demais e, por isso, não vou lamentar mais, vou sorrir, vou lutar, vou ser feliz, por mim.

S.R.