Este blogue é um ponto de encontro com amigos desconhecidos que se reconhecem nas palavras e nos gestos, aqueles por vezes tão comuns que deixamos de reparar, até alguém nos voltar a falar deles, como se fosse a primeira vez.

Música

20 de setembro de 2020

Sonhar Acordado


 

Fecha os olhos acordado, imagina, traça os teus desejos, os teus sonhos, porque esses minutos são preciosos e fazem-te sorrir na jornada que vem a cada “a seguir”.

Dizes que sou tola por sonhar que corro no meio dum campo de margaridas que não existe, insistes que não consegues sonhar acordado, que é impossível, que não podes ver o que não existe, muito menos de olhos fechados.

Mas não é tão difícil viver sem sonhos? Sempre acordado, com o mundo em cima dos ombros, grande ou pequeno, às vezes leve, às vezes demasiado pesado, sem te dares uma pausa para descansares os pés que o carregam.

Todos temos asas transparentes, tens que aprender a usá-las. Voar acima do dia, da noite, acima das margaridas, acima dos moinhos de vento, acima do mundo, acima das estrelas, acima de ti.

E quando começares a voar acima dos teus próprios sonhos, vais perceber que não precisas ver as asas para conseguires voar, vais acreditar que há coisas que se veem melhor de olhos fechados, mesmo as que já existem.

S.R.

10 de agosto de 2020

Estrelas

Fotos tiradas por mim    


Estrelas
 
 
Tudo passa,
depressa
ou lentamente,
mas passa,
como um cometa luzente.

Continuamos a caminhada,
e para trás, fica cada pegada.
 
Também as ondas do mar,
levam as estrelas,
e, só às vezes, na areia da praia,
voltamos a vê-las.

E, mais à frente,
também caídas no chão,
estrelas cadentes,
brilham e remendam,
os cacos foscos do coração.


S.R.





23 de julho de 2020

8000 Noites





Como a luz duma estrela que não se apagará, que continuará a brilhar por milhares de anos depois de se ter extinguido, estará ele... Não se extingue, não explode, nem implode, não é de hidrogénio nem de hélio, mas existe, na minha vida, na minha história, no meu mundo, tem um coração a pulsar, sangue nas veias a correr, e brilha mais que qualquer estrela do espaço… E cegou-me o coração, quando o voltei a ver.
S.R.


8000 noites


Há mais de 8000 noites a lua viu o nosso primeiro beijo, e todos os que se seguiram… Guardou os nossos segredos e guardou o último beijo, aquele que nunca demos…

Há 8000 noites fizemos uma promessa de amor. Pediste que esperasse por ti, disseste que se olhasse para a lua falarias comigo através dela… prometeste voltar…
Durante anos foi a lua que nos abrigou nas noites de solidão, onde quer que tu estivesses eu estava, e sentia a tua mão a agarrar a minha, enquanto os nossos pensamentos velejavam no oceano equilibrados no reflexo da lua.

8000 noites nunca seriam demais para nós… Mesmo nas noites de solidão em que as nuvens encobriam a lua e parecia que o nosso amor era um caminho de sentido proibido, nada nos separaria… A não ser uma carta, uma carta minha, que eu não escrevi, e que te partiu o coração em pedaços, te fez desaparecer, sem um adeus…

Tentei superar todos os demónios e gritar naquele momento de silêncio ensurdecedor. Desejava que me conseguisses ouvir, me esticasses a mão e me voltasses a abraçar, e o brilho das estrelas dentro de nós, finalmente, voltasse a cintilar. Mas o meu chão rachou, abriu, e engoliu-me quando vi que escrevias um novo capítulo, e o sorriso ao teu lado não era o meu… e percebi que as promessas são nuvens que ocultam o sol, tempestades que destroem e depois se dissipam como se nunca tivessem existido…

Durante 8000 noites, caminhei à procura dum motivo, duma força, de um amor, por ruas e vielas, subi, desci, desviei-me, tropecei, caí, ergui-me, vi esperança, vi escuridão… Mas não podia amar ninguém, porque não eras tu… As pedras não me magoavam os pés, na escuridão não havia sombras e os cacos do meu coração já não podiam partir mais…

Os anos passaram como o rasto deixado pelos faróis em estradas cheias de movimento, sem desvios, sem paragens, sem descanso. As nossas vidas mudaram, vezes sem conta, e enquanto seguíamos, a cada recta, a cada curva, a cada desvio, na rádio soava sempre a nossa canção, como uma luz que nunca desaparecia, fosse qual fosse o tamanho da escuridão.

Nas páginas novas que eu imprimia com as minhas pegadas, mesmo nos becos mais solitários, quando chegava a noite, ali estava a lua, a iluminar-me, a acalmar-me, a sussurrar-me prateada que, apesar de tudo, apesar do tempo, onde quer que estivesses, todas as noites nos sentaríamos na beira duma janela imaginária, juntos…

Durante 8000 noites, não consegui deixar de esperar por ti, corri para a janela à procura do teu brilho, na lua, nas estrelas. Foste o meu primeiro passeio na praia ao luar, o primeiro pôr-do-sol apaixonado, a minha primeira flor, as primeiras gargalhadas escondidas, o primeiro segredo, o primeiro coração que desenhei, a primeira carta de amor, a primeira canção, o primeiro poema, o primeiro desejo, o primeiro amor, a primeira mão que me agarrou, o primeiro beijo que dei…

E 8000 noites depois… quando parecia impossível… tu voltaste… Embora tivesses uma nova história, tu tinhas que voltar para honrar a tua promessa, mesmo que desses ao mundo mil razões credíveis, para não admitires, nem a ti próprio, que também voltavas para reencontrar um pedaço de ti. E, quando te vi à minha frente novamente, quando me voltaste a abraçar, foi como se emergisse da água depois de um mergulho mais longo do que poderia aguentar e finalmente pudesse respirar.

Eu não sabia se me tinhas esquecido ou se tinhas medo de te lembrar, mas a cada sorriso, beijo e abraço que me davas eu sentia um impulso no meu coração. Abalroados por um mar de revolta, que nos sacudia e abraçava ao mesmo tempo, perdidos num turbilhão de sentimentos, por uma segunda oportunidade que nos tinha sido roubada, num momento a que não quisemos resistir, arrancamos a nossa oportunidade ao universo, era nossa…

E voltamos a sentir o carinho e o fogo, o desejo e a força que nos atraía, os cheiros, os sabores, o calor dos nossos corpos, e, quando os nossos lábios se tocaram, o mundo desapareceu, sem tempo, sem espaço, sem nada, só nós, e sentíamos o nosso primeiro beijo, puro, assustado, intenso, pela segunda vez.

Durante 8000 noites, julgamos que a lua tinha guardado, o nosso último beijo, aquele que nunca demos, mas afinal guardava o primeiro, aquele que selou uma promessa, se também seria o último não podíamos saber. Mas, para já, tinha chegado o momento de parar de esperar, de seguir em frente, tu na tua história e eu na minha, porque, estivéssemos onde estivéssemos, estivéssemos com quem estivéssemos, o que existia entre nós, seria eterno…

Todas as noites continuaríamos a sentar-nos na beira duma janela imaginária, juntos, e, quem sabe, um dia, os nossos caminhos se voltassem a juntar, nesta vida ou daqui a cem…


S.R.

3 de maio de 2020

Mãe

 
Mãe


Mãe é sorriso,
Feliz ou triste,
É carinho,
É perdão.

Mãe é abraço,
Baloiço que embala
No regaço,
Numa canção.

Mãe é farol,
Luz intensa
Que ilumina
Na escuridão.

Mãe é árvore,
Mil braços
Que se estendem
Dum coração.

Mãe é ponteiro,
Relógio de peito,
Em constante
Palpitação.

Mãe é abrigo,
Porto seguro,
Escudo, manta,
Proteção.

Mãe é raíz,
Terra firme,
Caminho,
Direção.

Mãe é pedestal,
No cume os filhos,
Brisa de coragem
Montanha de afeição.

Mãe é tudo,
Anjo sem asas,
Amor incondicional
Esperança,
Dedicação.


Sandra Reis


 




23 de abril de 2020

Quando me voltares a beijar


Quando me voltares a beijar



Olha-me nos olhos
antes de me tocar...
Afaga-me a cara
e demora-te no meu olhar...

Quero sentir a brisa quente dos teus lábios,
quero o nó na barriga,
o coração a palpitar,
quero as borboletas no peito,
antes de me voltares a beijar.

Deixa-me ansiar...
Beija-me na testa, na fonte, na bochecha...
Beija-me no nariz, no pescoço, no queixo...
Beija-me, devagar,
Beija-me em cada canto da boca,
e, depois, lentamente,
deixa finalmente,
a tua boca na minha pousar...
E demora-te...
Até não haver mais ondas no mar,
nem nuvens a correr...
Até o ponteiro parar
o tempo...
Até termos a eternidade,
num momento...

S.R:

21 de março de 2020

Aliados!







Vem Ter Comigo Aos Aliados
(Pedro Abrunhosa)

Aqui começa a terra prometida,
Podes entrar ou estar de saída,
É ainda cedo p’ra parar.
Teremos tempo p’ra dormir um dia,
Trocar o medo pela fantasia,
A vida não pode esperar.

Esta noite foge comigo,
Só no Amor somos sem-abrigo,
E este beijo é de amor antigo,
Fomos abençoados!
Este é o Porto de todos os barcos,
Chegam os loucos,
Voltam encantados,
E é por ti que o Douro canta Fados,
Vem ter comigo aos Aliados!

Em 5h vou de Norte a Sul,
O sangue de todos é o de cada um,
O meu é vermelho o teu é azul,
Hei-de te encontrar.
Estaremos vivos ao amanhecer,
Bebe da paz dos que não tem poder,
Esta é a luz dos que hão-de nascer,
E eu hei-de ajudar.

Esta noite foge comigo,
Só no Amor somos sem-abrigo,
E este beijo é de amor antigo,
Fomos abençoados!
Este é o Porto de todos os barcos,
Chegam os loucos,
Voltam encantados,
E é por ti que o Douro canta Fados,
Vem ter comigo aos Aliados!

Parecem dias de anunciação,
É o futuro que te agarra ao chão,
Balões de luz como no S. João,
Olha que o céu nos vê.
O teu corpo chama e o meu responde,
Talvez te Ame no meio da ponte,
Talvez me entregue com o calor de ontem,
Chegou a nossa vez.

Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!
Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!

Parecem dias de anunciação,
É o futuro que te agarra ao chão,
Balões de luz como no S. João,
Olha que o céu nos vê.

Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!
Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar! 


30 de janeiro de 2020

Doces como Algodão




Brilha cintilante
Ponto por ponto
Na imaginação
Um sonho
Uma constelação

Cavalo alado
Voa sem asas
Crinas onduladas
Pelo vento
Delineadas
Atravessa o tempo
Tal estrela cadente
O rasto de pó entre as pegadas

Num poço de desejos
Uma moeda a tilintar
Por longos beijos
Numa noite ao luar

Moinhos de vento
No topo do coração
Sopram nuvens rosa
Doces como algodão

E ao longo do rio
Segue a corrente
Em ritmo bravio
Ondular fervente

Um búzio guardado pelo mar
Com uma história para contar
Deixa as pedras na areia
Para o caminho de casa encontrar

Mas, sem ele,
Não há caminho
Nem casa para regressar
Distante como uma estrela
Impossível de agarrar
Passou-lhe entre os dedos
Como água do mar

Da noite, deixa o reflexo prateado
E os sonhos de algodão doce
Uma promessa,
Como se ela fosse,
A fechadura sem a chave
Ou a porta sem o puxador
Há décadas, à espera,
da chave perdida e do amor.

...

O tempo passou
E ela nunca se resignou
Nessa persistência, um dia,
A chave perdida ela encontrou

Abriu a porta,
Há décadas trancada
Do outro lado, estava ele
Mas não era só ele que a esperava
Era ela, ela própria,
Que, finalmente, se reencontrava.


Sandra Reis

27 de janeiro de 2020

Começos



Na vida não há fins, apenas começos, cada horizonte, cada desvio, cada escolha, cada tentativa, cada mudança, é um começo.

Os únicos fins são novos começos. Largar o que nos põe doentes, o que nos faz mal, quem não nos merece, o que nos impede de crescer e de ser feliz. Deixar ir os sonhos que se tornaram âncoras.

Viver é Acordar. Respirar. Sorrir. Abraçar quem nos ama, escolher novos caminhos, tentar novos sonhos e continuar a alcançar novos começos.

Sandra Reis

10 de janeiro de 2020

Força é...







"Força é aquela faísca dentro do peito que nos faz sorrir na escuridão e traz de volta o Sol."

Sandra Reis

8 de janeiro de 2020

Façam chover...


Quem me dera que o meu grito fizesse chover. Eu gritaria sem parar, para que a chuva não parasse de cair na Austrália até o tempo arrefecer e tudo parar de arder...

É insuportável, pensar que hoje e durante os próximos 5 dias estarão helicópteros com atiradores profissionais a matar 10 000 camelos na Austrália porque têm sede e estão a gastar água da população... 

          "Estamos presos em condições quentes e desconfortáveis, e sentimo-nos mal porque os camelos estão a derrubar cercas, a entrar pelas casas e a tentar beber a água dos aparelhos de ar condicionado - disse Marita Baker" in IndependentDN

Não basta os Animais que estão a morrer queimados, alguns a morrer lentamente com feridas e queimaduras. Não basta toda a Flora destruída. Não basta todo o ar poluído pelos fogos. Também têm que matar Animais, Seres Vivos inocentes, para não beberem a água...

A que ponto nós chegamos, a que ponto levamos este Planeta tão maravilhoso...

E ainda dizem:

          "O abate de camelos tem em consideração ainda as emissões de gases de efeito estufa, já que emitem metano equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono por ano."
in IndependentDN

Dizem isto as mesmas pessoas que poluem o ar com os carros que usam todos os dias, com todos os aparelhos que lhes dão comodidades, incluindo o ar condicionado (do qual os camelos vão beber água em ato de desespero), todos eles criados em fábricas que lançam gases e outros poluentes, fábricas e aparelhos que consomem energia, energia que é criada poluindo ar, terra e água por indústrias petrolíferas, centrais nucleares, etc etc... As mesmas pessoas que não querem saber da massiva quantidade de metano quando comem carne das indústrias bovinas, em que milhões de animais vivem "empacotados" com os dias contados como objectos para apenas um fim, consumo.
As mesmas que aplaudiram os fogos de artifício, que nem neste cenário de fogos foram cancelados...

Não posso ficar calada. Compreendo que quando se luta pela sobrevivência é terrível, mas é triste pensar que chegamos ao ponto de ter que "assassinar" seres vivos inocentes quando a nossa sobrevivência está em causa...

Acredito que tudo poderia ter sido minimizado, e todas estas mortes evitadas, se todos ajudassem, se não estivessem à espera do momento para ajudar, não se pode esperar para ver se passa, é preciso agir logo. Só temos um Planeta, para todos, e acho que a maior parte da Humanidade ainda não percebeu realmente isto....

Se todo o Mundo ajudasse, sem contingências, sem interesses, políticos ou económicos, todos juntos, com água por cima da Austrália. Não conseguiriam fazer chover?! Somos apelidados de Humanos, porque temos sentimentos, empatia, compaixão, então, milhares de Humanos juntos fariam e fazem toda a diferença! Tragam aviões, helicópteros, o que houver, o que for preciso. Não é preciso nuvens para fazer chuva!

Sejam Humanos! FAÇAM CHOVER!

Sandra Reis

6 de janeiro de 2020

Inesquecíveis




"Algumas pessoas são recordadas
pelo modo como entraram ou saíram da nossa vida.
Outras são inesquecíveis, pela forma, como num só instante,
conquistaram para sempre o nosso coração."

S.R.