Este blogue é um ponto de encontro com a escrita, com os pensamentos, com os sussurros do coração, com a vida. Uma constante necessidade de dar e partilhar as pequenas e as grandes coisas. Este blogue é a reunião de amigos desconhecidos que se reconhecem nas palavras e nos gestos, aqueles por vezes tão comuns que deixamos de reparar, até alguém nos voltar a falar deles, como se fosse a primeira vez.

Música

17 de abril de 2019

De Braços Estendidos


Foto tirada por mim. Porto. Palácio de Cristal no Outono

Cada raiz, cada veio, cada camada, cada anel de crescimento, tem centenas de histórias, viveu momentos, seguiu caminhos, assim como cada uma das nossas rugas, que contam histórias, de coisas simples, de coisas com significado, que não podemos impedir que surjam, nem com a maquilhagem, assim como a terra cobre as raízes mas não as impede de crescer.

Os ramos são braços estendidos, que alcançam as nuvens, que desenham caminhos, protegem crias, constroem sonhos... Como braços que, ao longo da vida, vão alcançando objectivos, construindo memórias, protegendo filhos, pais, seres, criando obras, laços, arte, desejos...

Eu penso na árvore como uma mãe, de todos nós, que nos protege, nos resguarda, aponta o caminho, dá-nos colo, orienta-nos, abraça-nos quando choramos, dá-nos ar quando não conseguimos respirar.

No mês passado, dia 21 de Março, comemorou-se o dia da Árvore, e este, como muitos, deveria ser sagrado todos os dias, as Árvores são indispensáveis para a vida de todos os seres vivos, humanos ou não humanos, para a vida da Terra.

As árvores produzem oxigénio, absorvem os gases nocivos que se encontram no ar (monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de azoto), reduzem a poluição do ar, sem elas não poderíamos respirar... Além disso elas diminuem a temperatura do ar, funcionam tal como "ares condicionados" naturais, isto sem falar nas sombras que nos oferecem. Além disso, elas também limpam o solo, filtram resíduos animais, esgotos, convertem as substâncias poluentes, agrícolas, químicas, diminuindo os efeitos nocivos ou absorvendo-os completamente. Também está provado cientificamente que elas reduzem a poluição sonora, abafam os ruídos altos, tanto como uma parede de pedra.

Mas ainda há tanta gente que não compreende a verdadeira dimensão e importância das árvores. No mês de Março, com o início da Primavera, tivemos algumas dezenas de incêndios por todo o país... É desolador e revoltante, não há razão natural para isto acontecer, eram temperaturas amenas, a rondar os 20ºC... Há incendiários claro (que deviam estar controlados por pulseira electrónica, já que em Portugal a prisão não tem grande uso...), mas a maioria provavelmente é causada por descuido das pessoas e poderia ser evitada com cuidados mais do que simples...

Eu adoro as árvores, elas são lindas, são fantásticas e únicas, mas mais do que isso, são indispensáveis à vida, sem elas o nosso planeta seria inóspito e venenoso, precisamos delas, temos que cuidar delas. Ensinem os vossos filhos, netos, amigos, pais, alunos... É tão importante ensinar.

Depois de dias numa "demanda" através das minhas milhares de fotos dos últimos catorze anos, escolhi algumas para vos mostrar.

Palácio de Cristal - Porto
Mosteiro de São Pedro de Ferreira - Paços de Ferreira
Arouca
Jardim de Serralves
Citânia de Sanfins
Serra d' Arga
Serra d'Arga
Serra d'Arga
Jardim Botânico de Coimbra
Castro de Santa Tegra - Monte de Santa Tecla
Baiona
Ilhas Ciès
Bicha das Sete Cabeças - Silvalde
Bicha das Sete Cabeças - Silvalde
Serra da Freita
Serra da Freita
Serra da Freita
Monte de São Gabriel - Parque Arqueológico do Vale do Côa
Peso da Régua
Monte da Senhora da Mó - Arouca
Drumburn - Escócia
Santo Tirso
Elderslie - Conhecida como "The Wallace Yew, tem mais de 300 anos  - Escócia
Monte da Senhora da Mó - Arouca
Ruínas de Conimbriga
Mosteiro de São Pedro de Cête
Loch Assynt Isles - Escócia
Loch Assynt Isles - Escócia
Almeida
Soajo
Buçaco

"Se as cortam, queimam, destroem, tiram-lhes a oportunidade de crescer, de viver, de mostrar até onde poderiam ir, o que poderiam alcançar e quantas histórias nos poderiam contar..."

Sandra Reis

8 de abril de 2019

Quero-te todo


 

Quero-te todo…
Com a força dum quasar
A firmeza dum mar irado
O fogo dum cometa gelado
O gemido dum trovão
 
Quero-te todo, sem inibição
Dos pés à cabeça
Da boca ao coração
Com a certeza
E o turbilhão,
Num beijo sem defesa
Num arpejo com paixão

Quero-te todo
Com amor, com prazer
Com magia
Com ciência
De noite e de dia
Sem azáfama
E sem paciência

Quero-te
Quero-me em ti
Aquecer-me na tua pele
Reflectir-me no teu olhar
Respirar na tua pulsação
E em ti ficar, a cada segundo,
Até ao infinito do teu coração.


Sandra Reis


27 de março de 2019

Quase Pocahontas


Há caminhos que vão direitinhos ao coração e este é um deles!


Começou a Primavera, e fui, finalmente, abraçar todos os pedaços de Natureza que adoro, como uma Quase Pocahontas.

Felizmente, o novo Raio X não mostrou nada partido e depois de três semanas, posso acordar deste "sono profundo", sair e, em breve voltar a calçar o meu sapatinho! 😊

Ainda não posso esforçar muito o pé, mas pude caminhar aos poucos e ver as coisas que adoro: as flores a desabrochar; os pássaros a voar; posso ir onde me apetecer, onde me sinto feliz e segura, ver os gatos a espreitar ao Sol nos alpendres das casas, os cães a correr na areia, ver o jardim onde plantei uma árvore quando tinha quatro anos e ver o meu mar, ouvi-lo, senti-lo... 

Ficam aqui as fotos dos pedaços de natureza que eu mais adoro, nos caminhos que vão direitinhos ao meu coração :)









Não sei se conhecem o filme Pocahontas, gosto muito e todos deveriam vê-lo, aborda temas extremamente importantes, as diferenças entre os humanos, entre as culturas, a importância da Terra, da Natureza, dos Seres Vivos, das Árvores. Muito bonito e com algumas músicas lindíssimas e cheias de valor, como esta:



Quantas Cores o Vento Tem

Tu achas que sou uma selvagem
E conheces o mundo
Mas eu não posso crer
Não posso acreditar
Que selvagem possa ser
Se tu é que não vês em teu redor
Teu redor
Tu pensas que esta terra te pertence
Que o mundo é um ser morto,
Mas vais ver
Que cada pedra, planta ou criatura
Está viva e tem alma,
É um ser
Tu dás valor apenas às pessoas
Que acham como tu sem se opor
Mas segue as pegadas de um estranho
E terás mil surpresas de esplendor
Já ouviste um lobo uivando no luar azul
Ou porque ri o lince com desdém
Sabes vir cantar com as cores da montanha
E pintar com quantas cores o vento tem
E pintar com quantas cores o vento tem
Vem descobrir os trilhos da floresta
Provar a doce amora e o seu sabor
Rolar no meio de tanta riqueza
E não querer indagar o seu valor
Sou a irmã do rio e do vento
A garça, a lontra são iguais a mim
Vivemos tão ligados uns aos outros

Neste arco, neste círculo sem fim
Que altura a árvore tem
Se a derrubares não sabe ninguém
Nunca ouvirás o lobo sob a lua azul
O que é que importa a cor da pele de alguém
Temos que cantar com as vozes da montanha
E pintar com quantas cores o vento tem

Mas tu vais conseguir
Esta terra possuir
Se a pintares com quantas cores o vento
Tem
Compositores: Alan Menken / Stephen Schwartz

21 de março de 2019

À Meia-Noite




Todas as noites, uns segundos antes da meia-noite, o mundo dissipa-se à volta dela. Parada em frente ao relógio, sustém a respiração como se mergulhasse num mar de medo e, de olhos ofuscados pela água salgada, fica apenas a ver o ponteiro a percorrer o trajecto até àquela badalada que lhe permite voltar à superfície e respirar.

Abre a janela, olha para o Céu e procura a Lua, grata por estar ali, grata por estar livre, ainda que apenas fisicamente. Como se se pudesse abrir uma porta no tempo durante aqueles segundos antes da última badalada e o monstro a voltasse a apanhar.

Há portas no tempo que demoram muito a fechar, janelas que demoram muito a abrir e ponteiros que, em vez de tempo, apontam dolorosos acontecimentos.

As memórias ainda a cercam, ela quer esquecer, mas cada vez que tenta, a lembrança traz a dor como um punhal afiado no peito, ainda mais forte. Talvez seja melhor não tentar esquecer, deixar que o tempo apague sozinho as recordações... Durante anos culpou-se, porque não sabia a quem culpar, mas agora percebe que não podia ter culpa daquilo que aquele monstro lhe fez, destruindo para sempre uma parte da sua vida, uma parte que ficou inacabada, desmoronada e abandonada para trás... Uma parte dela que mesmo assim era parte dela, e ele, aproveitando-se de toda a sua inocência, arrancou-lha cruelmente...

Esse mesmo monstro que não teve castigo, esse mesmo monstro que a fez correr de medo durante anos, que a fez ter pesadelos à noite, que a fez paralisar de terror na rua, esse mesmo monstro que a polícia ignorou, esse mesmo monstro que podia fazer tudo... Destruiu um pedaço da vida dela, e, a parte que não destruiu, ficou com uma sombra que nunca desaparecerá.

Essa sombra precisa de luz.

À meia-noite, muitas vezes, apagam-se memórias que não se querem esquecer e recordam-se memórias que se querem apagar. O ponteiro gira sempre para o mesmo lado, não há nada a fazer, senão esperar, acreditar, e um dia quem sabe, o ponteiro gire sem que se dê conta e o tempo volte a passar sem o barulho do passado, sem o som do ponteiro, sem o medo.

Como se o tempo estivesse impregnado na pele dela, como se o tic tac fosse tudo o que conseguisse ouvir dentro de si, só à espera do dia, do momento em que simplesmente se poderá libertar, abrir os braços, partir o frasco onde está fechada, e num ápice mover todas as partículas da atmosfera à sua volta, fazer voar para longe todos os cacos de vidro que a mantiveram presa… Voltar a ouvir o som do vento, o som do mar, o som da vida, deixar o ponteiro à meia-noite esquecido para sempre, e, finalmente, ensurdecer o tic tac, com o pulsar do seu próprio coração.

Sandra Reis

19 de março de 2019

Um Pai que brilha


Se me perguntarem do que é que eu gosto, bem, eu gosto de tanta coisa, não seria possível dizer uma ou duas coisas, mas é possível dizer que gosto de tudo o que espalha alegria. Todas as coisas bonitas e valiosas que, por vezes, nem reparamos. Coisas simples, banais às vezes, mas cheias de significado.

Não sei se nasci assim ou se foi fruto da minha experiência, o meu pai dava importância a todas as pequenas coisas que muitos nem ligam e sempre que as via ele chamava-me, podia nevar todos os dias que ele chamava-me todos os dias para eu ver. Sempre com o mesmo entusiasmo. Um arco-íris, um grupo de patos a voar, granizo nas janelas, a lua, as estrelas, a cor do pôr-do-sol, um gato a saltar, um cão de barriga para o ar, uma criança a rir, um reflexo nas poças de água, sombras animadas, dentes-de-leão para soprar, pinhas para apanhar, bolotas, cerejas nas orelhas, a cor do céu, as formas das nuvens, nada lhe escapava, tudo era fantástico. Ainda é assim.

Acho maravilhoso podermos ser assim. A minha mãe, ainda lhe diz muitas vezes que ele parece uma criança. Embora ele tenha aquele brilho que vemos nos olhos das crianças, para mim ele não é uma criança, mas sim o melhor pai que eu poderia ter. Um pai que me mostrou tantas coisas, ensinou a soprar nas folhas das árvores para fazer música, a jogar à bola mesmo sendo rapariga, que brincou comigo no chão fosse com carros ou bonecas, que por mais cansado que estivesse do trabalho, arranjava sempre tempo e um sorriso para mim, tempo para me levar ao parque, à praia a apanhar pedrinhas, a comer bolacha americana, a ver os aviões aos domingos, que me ensinou tantas coisas engraçadas e dedicou todo o seu tempo a fazer-me sorrir.

Não é maravilhoso podermos crescer, tornar-nos adultos, trabalhadores, responsáveis e conseguirmos ver o Mundo com olhos de criança? Não seria o Mundo mais divertido, fabuloso e VALIOSO para nós se o víssemos assim? Um mundo em que todos os pormenores que lhe fomos descobrindo desde criança, continuassem a ser mágicos e surpreendentes todos os dias, e que, mesmo sendo imutáveis e constantes, fossem sempre capazes de nos fazer sorrir de felicidade como se os víssemos pela primeira vez.


Sandra Reis

18 de março de 2019

Domingos doces



Ao domingo normalmente não há pensamentos para dietas. Não se abusa mas também não se pensa nisso :)
Decidi fazer coisas novas. Este bolo que fiz assim sem olhar ao livro e às medidas, ficou uma delícia e a mousse abaixo foi a minha amiga Raquel que me deu a provar e eu adorei, eu que nunca gostei de oreos, rendi-me à mousse que ela fez, e claro, pedi-lhe a receita e aí está o resultado! Uma delícia (para engordar também, claro) :D

Bolo de Iogurte e Coco



Ingredientes:
6 ovos
1 colher de sopa de manteiga
200g açúcar (250g para os mais gulosos)
3 iogurtes naturais com açúcar
1 colher de chá de fermento
200g de farinha
100g de coco ralado
1 lata de leite condensado
Raspas de chocolate a gosto

Receita:
Ligar o forno a 150ºC.
Bater os ovos com o açúcar e a manteiga. Juntar os iogurtes, bater. Depois juntar a farinha, o fermento e o coco e bater tudo. Colocar na forma e depois levar ao forno durante 40 minutos a 150ºC com o calor só por baixo.
Retirar do forno, desenformar ainda quente e colocar o leite condensado lentamente em cima para absorver. Decorar com raspas de chocolate.



Mousse de Oreo



Ingredientes:
2 pacotes de natas batidas
1 lata de leite condensado
1 pacote de oreos


Receita:
Bater as natas até ficarem firmes. Juntar e misturar devagar o leite condensado.
Picar as bolachas e misturar tudo suavemente.
Frigorífico umas duas horas e fica pronto!

15 de março de 2019

Os meus amores


O gravador e as cassetes do meu pai / Foto tirada por mim

Foi aqui que tudo começou. Ainda era uma bebé quando descobri o meu primeiro amor, a Música, com o gravador do meu pai, observava fascinada os ponteiros do medidor de intensidade a mexerem com a minha voz, foi aí que senti, pela primeira vez, a cantar, a certeza de que ali estava no meu mundo, completa.

Ensinar foi o meu segundo amor, com 4 anos, ainda não sabia ler nem escrever e já dava "aulas" de quadro e giz aos meus primos mais novos (sabe-se lá bem do quê), sentados em mesas com cadernos onde eu rabiscava "certos".

Quando eu tinha 6 anos, os meus pais trouxeram connosco um gato que estava prestes a ficar sem casa, depois dele veio outro gato, mais tarde o meu cão, e fui criando laços de amizade incondicional com eles, aprendi a comunicar com eles, pelo olhar, como se falássemos a mesma língua pelos pensamentos, e descobri o meu terceiro amor, os Animais.

Aos 12 anos descobri o meu quarto amor, Escrever, sentia que era mais fácil "falar" por palavras manuscritas, sentia necessidade de escrever para me libertar, para me "ouvir", para ser eu própria, descobri que a caneta me levava para sítios onde nunca estive.

O meu quinto amor, descobri aos 14 anos, a Pintura, quando pintei numa tela pela primeira vez, e percebi que, ao contrário do que eu imaginava, era o pincel que guiava a minha mão, que levava com ele os meus dedos, que me sentia completa a pintar, desde esse momento percebi que seria para sempre.

Cresci, e acabei mesmo por escolher o curso de Professora Primária, como eu dizia aos 4 anos, ensinei durante oito anos, e uns anos mais tarde compreendi que provavelmente nunca mais voltaria a ensinar, nunca mais iria voltar a ser Professora, como milhares de Professores em Portugal, tive que aprender a aceitar isso  à força, mas admito que ainda não acredito que isto é a quase certa realidade... Já não ensino há oito anos...

Neste turbilhão de desilusões acabou por acontecer uma coisa há uns anos atrás. Como ajudar Animais era tão natural para mim como acordar de manhã, porque não sou capaz de fechar os olhos, de ver um animal a precisar de ajuda e seguir o meu caminho, não consigo dormir até fazer alguma coisa, então, não sei como, um dia dou por mim a juntar o meu amor pelos Animais, pelo Ensino, pela Escrita e pela Pintura, num só, e percebi que tudo fazia sentido. Comecei a escrever e a ilustrar livros Infantis com um propósito educativo, sensibilizar para o respeito pelos animais. Não pus a música de lado, está na minha vida a todo o momento, não a largarei jamais.

Um dia chegou o meu sexto amor. O último de todos os meus amores, o último que descobri e encontrei dentro de mim, que, como a certeza tão fresca e reveladora das primeiras gotas de orvalho da vida, me conquistou de forma profunda e eterna. As minhas duas pequeninas. Foram o último amor que surgiu na minha vida, mas são o mais importante de todos.
Agora sei, podia viver sem nada, mas jamais poderia viver sem elas <3

Sandra Reis 

As minhas pequeninas a conhecer o Mundo / Lisboa 2018 / Foto tirada por mim