Este blogue é um ponto de encontro com amigos desconhecidos que se reconhecem nas palavras e nos gestos, aqueles por vezes tão comuns que deixamos de reparar, até alguém nos voltar a falar deles, como se fosse a primeira vez.

Música

3 de maio de 2020

Mãe

 
Mãe


Mãe é sorriso,
Feliz ou triste,
É carinho,
É perdão.

Mãe é abraço,
Baloiço que embala
No regaço,
Numa canção.

Mãe é farol,
Luz intensa
Que ilumina
Na escuridão.

Mãe é árvore,
Mil braços
Que se estendem
Dum coração.

Mãe é ponteiro,
Relógio de peito,
Em constante
Palpitação.

Mãe é abrigo,
Porto seguro,
Escudo, manta,
Proteção.

Mãe é raíz,
Terra firme,
Caminho,
Direção.

Mãe é pedestal,
No cume os filhos,
Brisa de coragem
Montanha de afeição.

Mãe é tudo,
Anjo sem asas,
Amor incondicional
Esperança,
Dedicação.


Sandra Reis


 




23 de abril de 2020

Quando me voltares a beijar


Quando me voltares a beijar



Olha-me nos olhos
antes de me tocar...
Afaga-me a cara
e demora-te no meu olhar...

Quero sentir a brisa quente dos teus lábios,
quero o nó na barriga,
o coração a palpitar,
quero as borboletas no peito,
antes de me voltares a beijar.

Deixa-me ansiar...
Beija-me na testa, na fonte, na bochecha...
Beija-me no nariz, no pescoço, no queixo...
Beija-me, devagar,
Beija-me em cada canto da boca,
e, depois, lentamente,
deixa finalmente,
a tua boca na minha pousar...
E demora-te...
Até não haver mais ondas no mar,
nem nuvens a correr...
Até o ponteiro parar
o tempo...
Até termos a eternidade,
num momento...

S.R:

21 de março de 2020

Aliados!







Vem Ter Comigo Aos Aliados
(Pedro Abrunhosa)

Aqui começa a terra prometida,
Podes entrar ou estar de saída,
É ainda cedo p’ra parar.
Teremos tempo p’ra dormir um dia,
Trocar o medo pela fantasia,
A vida não pode esperar.

Esta noite foge comigo,
Só no Amor somos sem-abrigo,
E este beijo é de amor antigo,
Fomos abençoados!
Este é o Porto de todos os barcos,
Chegam os loucos,
Voltam encantados,
E é por ti que o Douro canta Fados,
Vem ter comigo aos Aliados!

Em 5h vou de Norte a Sul,
O sangue de todos é o de cada um,
O meu é vermelho o teu é azul,
Hei-de te encontrar.
Estaremos vivos ao amanhecer,
Bebe da paz dos que não tem poder,
Esta é a luz dos que hão-de nascer,
E eu hei-de ajudar.

Esta noite foge comigo,
Só no Amor somos sem-abrigo,
E este beijo é de amor antigo,
Fomos abençoados!
Este é o Porto de todos os barcos,
Chegam os loucos,
Voltam encantados,
E é por ti que o Douro canta Fados,
Vem ter comigo aos Aliados!

Parecem dias de anunciação,
É o futuro que te agarra ao chão,
Balões de luz como no S. João,
Olha que o céu nos vê.
O teu corpo chama e o meu responde,
Talvez te Ame no meio da ponte,
Talvez me entregue com o calor de ontem,
Chegou a nossa vez.

Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!
Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!

Parecem dias de anunciação,
É o futuro que te agarra ao chão,
Balões de luz como no S. João,
Olha que o céu nos vê.

Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar!
Ohohoh,
A noite está a chegar,
Ohohoh,
Havemos de nos salvar! 


30 de janeiro de 2020

Doces como Algodão




Brilha cintilante
Ponto por ponto
Na imaginação
Um sonho
Uma constelação

Cavalo alado
Voa sem asas
Crinas onduladas
Pelo vento
Delineadas
Atravessa o tempo
Tal estrela cadente
O rasto de pó entre as pegadas

Num poço de desejos
Uma moeda a tilintar
Por longos beijos
Numa noite ao luar

Moinhos de vento
No topo do coração
Sopram nuvens rosa
Doces como algodão

E ao longo do rio
Segue a corrente
Em ritmo bravio
Ondular fervente

Um búzio guardado pelo mar
Com uma história para contar
Deixa as pedras na areia
Para o caminho de casa encontrar

Mas, sem ele,
Não há caminho
Nem casa para regressar
Distante como uma estrela
Impossível de agarrar
Passou-lhe entre os dedos
Como água do mar

Da noite, deixa o reflexo prateado
E os sonhos de algodão doce
Uma promessa,
Como se ela fosse,
A fechadura sem a chave
Ou a porta sem o puxador
Há décadas, à espera,
da chave perdida e do amor.

...

O tempo passou
E ela nunca se resignou
Nessa persistência, um dia,
A chave perdida ela encontrou

Abriu a porta,
Há décadas trancada
Do outro lado, estava ele
Mas não era só ele que a esperava
Era ela, ela própria,
Que, finalmente, se reencontrava.


Sandra Reis

27 de janeiro de 2020

Começos



Na vida não há fins, apenas começos, cada horizonte, cada desvio, cada escolha, cada tentativa, cada mudança, é um começo.

Os únicos fins são novos começos. Largar o que nos põe doentes, o que nos faz mal, quem não nos merece, o que nos impede de crescer e de ser feliz. Deixar ir os sonhos que se tornaram âncoras.

Viver é Acordar. Respirar. Sorrir. Abraçar quem nos ama, escolher novos caminhos, tentar novos sonhos e continuar a alcançar novos começos.

Sandra Reis

10 de janeiro de 2020

Força é...







"Força é aquela faísca dentro do peito que nos faz sorrir na escuridão e traz de volta o Sol."

Sandra Reis

8 de janeiro de 2020

Façam chover...


Quem me dera que o meu grito fizesse chover. Eu gritaria sem parar, para que a chuva não parasse de cair na Austrália até o tempo arrefecer e tudo parar de arder...

É insuportável, pensar que hoje e durante os próximos 5 dias estarão helicópteros com atiradores profissionais a matar 10 000 camelos na Austrália porque têm sede e estão a gastar água da população... 

          "Estamos presos em condições quentes e desconfortáveis, e sentimo-nos mal porque os camelos estão a derrubar cercas, a entrar pelas casas e a tentar beber a água dos aparelhos de ar condicionado - disse Marita Baker" in IndependentDN

Não basta os Animais que estão a morrer queimados, alguns a morrer lentamente com feridas e queimaduras. Não basta toda a Flora destruída. Não basta todo o ar poluído pelos fogos. Também têm que matar Animais, Seres Vivos inocentes, para não beberem a água...

A que ponto nós chegamos, a que ponto levamos este Planeta tão maravilhoso...

E ainda dizem:

          "O abate de camelos tem em consideração ainda as emissões de gases de efeito estufa, já que emitem metano equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono por ano."
in IndependentDN

Dizem isto as mesmas pessoas que poluem o ar com os carros que usam todos os dias, com todos os aparelhos que lhes dão comodidades, incluindo o ar condicionado (do qual os camelos vão beber água em ato de desespero), todos eles criados em fábricas que lançam gases e outros poluentes, fábricas e aparelhos que consomem energia, energia que é criada poluindo ar, terra e água por indústrias petrolíferas, centrais nucleares, etc etc... As mesmas pessoas que não querem saber da massiva quantidade de metano quando comem carne das indústrias bovinas, em que milhões de animais vivem "empacotados" com os dias contados como objectos para apenas um fim, consumo.
As mesmas que aplaudiram os fogos de artifício, que nem neste cenário de fogos foram cancelados...

Não posso ficar calada. Compreendo que quando se luta pela sobrevivência é terrível, mas é triste pensar que chegamos ao ponto de ter que "assassinar" seres vivos inocentes quando a nossa sobrevivência está em causa...

Acredito que tudo poderia ter sido minimizado, e todas estas mortes evitadas, se todos ajudassem, se não estivessem à espera do momento para ajudar, não se pode esperar para ver se passa, é preciso agir logo. Só temos um Planeta, para todos, e acho que a maior parte da Humanidade ainda não percebeu realmente isto....

Se todo o Mundo ajudasse, sem contingências, sem interesses, políticos ou económicos, todos juntos, com água por cima da Austrália. Não conseguiriam fazer chover?! Somos apelidados de Humanos, porque temos sentimentos, empatia, compaixão, então, milhares de Humanos juntos fariam e fazem toda a diferença! Tragam aviões, helicópteros, o que houver, o que for preciso. Não é preciso nuvens para fazer chuva!

Sejam Humanos! FAÇAM CHOVER!

Sandra Reis

6 de janeiro de 2020

Inesquecíveis




"Algumas pessoas são recordadas
pelo modo como entraram ou saíram da nossa vida.
Outras são inesquecíveis, pela forma, como num só instante,
conquistaram para sempre o nosso coração."

S.R.
 


24 de dezembro de 2019

Feliz Natal para todos



Apesar da minha ausência quero que saibam que estão todos no meu coração e mal consiga tudo voltará ao normal.
Votos de um Feliz Natal para todos. Muita Paz, Saúde e Amor 😘

Um grande e forte abraço ❤️
Sandra Reis

18 de novembro de 2019

Descobrir as Estrelas

 


Persistir, é esperar por alguém que me procura. Ficar à espera de alguém que não me procura, é desistir. Desistir de mim e de tudo o que acredito.
Não posso desistir de mim. Se alguém não me merece, mudo de direção.
Prefiro caminhar um tempo sozinha e descobrir as estrelas, do que uma vida inteira atrás de alguém que só me permitia ver as nuvens.

Sandra Reis


11 de novembro de 2019

Atravessar...




Há batalhas que não podemos perder nem ganhar, batalhas que nos seguem até as decidirmos enfrentar.
O tempo passa, depressa ou devagar, e um dia, já cansados, percebemos que não há mais desvios, passagens ou abrigos onde nos refugiarmos.
Paramos, observamos o Mundo, e pensamos, mas pensar dói, olhar dói, falar dói, um simples suspiro, dói...
Compreendemos finalmente que não há outro caminho senão atravessar o "campo de batalha", aquele que tentamos evitar há tanto tempo, tanto que esgotamos o nosso tempo a conseguir formas de evitá-lo.
E agora só nos restam duas opções, deixarmo-nos "extinguir" um pouco a cada dia, enquanto vemos o tempo a passar, ou, encher o peito de ar e o coração de esperança e "atravessar".
Ganhar coragem e atravessar, mesmo que as lágrimas caiam sem chorar, mesmo que o coração aperte sem lhe tocar, mesmo que tudo o que quisemos um dia fique para trás, atravessamos.
E, aos poucos, descobrimos que, afinal, a vida continua do lado de lá.
Mais forte, mais leve, um novo começo, cintilante, sem o medo, sem a dúvida, sem a âncora a travar nem o fardo a carregar.

Sandra Reis

31 de outubro de 2019

Halloween


Aguarela / 31.10.19 / Sandra Reis

A todos uma Feliz Noite de Halloween
🎃🎃🎃🎃👻👻🦇🦇
Volto em breve ❤️
Beijinhos e Abraços cheios de saudades

4 de outubro de 2019

Animais Humanos


 
Animais são aqueles Seres Vivos, com patas, com caudas, com pêlos ou penas ou escamas, aqueles que não são considerados Seres Humanos mas que, muitas vezes, se destacam pela HUMANIDADE nos gestos.

Animais não são só os gatos e cães, são também os cavalos, elefantes, patos, galinhas, ouriços, ratos, pássaros, peixes, borboletas....

Os Animais são abandonados, na rua ou num pinhal, amarrados numa árvore, de onde não podem fugir e procurar comida, enjaulados, acorrentados a uma parede, enfiados em sacos para dentro dum contentor do lixo, atirados duma janela dum apartamento ou dum carro em andamento numa autoestrada, espetados com estacas como se fossem bonecos de vudu, amarrados com arames, com cordas que lhes cortam o pescoço, queimados por divertimento, levam com tiros por "desporto", cortam-lhes a cara para arrancarem o marfim, esfolam-nos ainda vivos para fazerem casacos de pele, torturam-nos para experimentarem técnicas e testarem neles tratamentos para humanos, são cobaias para medicamentos e maquilhagem... Todos os dias eles sofrem por nós.

Por mais ridículo que achem usar este conceito para Animais, ser Humano não é ter mãos e pés e ser capaz de falar. Ser Humano é ser compassivo, sensível, afectuoso, generoso... (ver imagem em anexo, sinónimos e antónimos de Humanidade) Quem vos parece mais humano? Nós ou os Animais?

É preciso caminhar muito ainda para chegar ao coração de quem não parece ter um. Mas respeitem os Animais. PAREM, se virem um Animal abandonado, maltratado, não virem as costas, não digam "Coitado" e sigam caminho! Ajudem! Tenham Compaixão, liguem à Polícia, façam queixa, tirem fotos, peçam ajuda a Associações, e, divulguem!

O Silêncio deixa os criminosos impunes. E os criminosos impunes continuam a cometer crimes todos os dias!
Sejam crimes contra Animais, Crianças, Idosos ou qualquer pessoa. Não fechem os olhos NUNCA!

Obrigada
Sandra
 


















 

19 de agosto de 2019

13 de agosto de 2019

Sonhos

"Mesmo que pareça um sonho, distante e enevoado, nunca deixes de acreditar que pode ser realizado"
S.R. 


Foto tirada por mim junto ao Farol da Nazaré

4 de agosto de 2019

Bailado Inesperado




Num bailado azul
Pode tudo ir com o vento
Estames de dente-de-leão
Soprados em compasso lento
Adagio em Pas de Deux,
Sem pousar os pés no chão

Num bailado cinzento
Pode tudo voar com o vento
No compasso violento
Dum impulsivo furacão
Nas cordas dum violino
Em estridente comoção

Num bailado inesperado
Tão bem coreografado
Prevê-se no cata-vento
A iminente destruição

Mas o amor que me confiaste,
Nem o vento, nem o tempo,
Poderá arrancar do meu coração.


S.R.

27 de julho de 2019

Tons de Liberdade




Borboletas de asas de vidro
Resplandecem na luz
Sem poderem voar
Escondidas no silêncio
De memórias distantes
Com doces ventos a soprar
Tão belos sonhos
Que as fazem ofegar

Numa noite,
Cumprindo a promessa,
O Sol espreita
Com intensidade
E numa chuva de sete cores
As asas de vidro
Transformam-se em pétalas
Com tons de liberdade


Sandra Reis

19 de julho de 2019

O meu Lugar Preferido






Quando eu era pequena, ia com a minha mãe à praia no Verão, morávamos alguns metros acima apenas. Ela levava-me à praia num sítio onde as rochas formavam um "u" de costas para o mar, e, nesse sítio, no momento certo, quando as ondas se desfaziam na areia, entrava alguma água para dentro desse "u" formando um pequeno "lago". A água dava-me pouco acima das canelas, e era assim todos os dias, imutável, seguro.

Lembro-me da minha mãe sentada na areia perto de mim a observar-me, enquanto eu brincava com as outras crianças na água, e, às vezes, deitava-me na água como se fosse nadar, dava um impulso naquele pedacinho de água salgada com os joelhos pousados na areia, e gritava: “Mãe, olha, estou a nadar!”, para mim aquilo era nadar.

Ao longo dos anos, o nível do mar continua a subir, cada vez a praia fica mais pequena e só consigo ver o meu pequeno "lago" quando a maré está muito baixa, mas mesmo assim, quando me sento ali à beira-mar, embora ninguém veja as rochas, eu vejo tudo como se nada tivesse mudado, reconheço o pedaço de areia onde a minha mãe se sentava a ver-me “nadar” e consigo ver o "u" escondido debaixo das ondas do mar.

E, embora, aquilo que eu pensava ser imutável, tenha realmente mudado, para mim não mudou. Ali sinto-me bem, sinto-me em paz, sinto-me feliz, simplesmente, com a maresia na minha cara, a ver e a ouvir o mar por cima do meu pequeno "lago", imutável, seguro.

Sandra Reis


(Fotos tiradas por mim - Praia das Sereias - Espinho)