Tiram-se milhares de fotos todos os dias, guardam-se fotos em discos,
pens, computadores, algumas delas ficam anos sem as voltarmos a ver, são
poucas as que revelamos hoje em dia, muito poucas mesmo. Mas um postal é
como uma janela, uma porta para um momento, um sítio, uma memória. Um postal guarda-se com
carinho numa caixa perto de nós. Guardar um postal é como estabelecer um
compromisso forte com as lembranças, uma ligação que não desaparece nem
se desgasta com o tempo. E, mesmo que um dia, algum deles se possa perder durante dezenas ou centenas de anos, também pode voltar a ser reencontrado, e, nessa altura, será um pedaço de história valioso.
Adoro ir ver postais a casas de antiguidades, há sempre muitos antigos, escritos, e eu adoro ler as histórias que algum dia alguém escreveu neles. Não comprei nenhum desses, mas era bonito se as pessoas os comprassem para os devolverem aos descendentes dos seus antigos donos. Podíamos escrever lindas histórias e aventuras certamente assim.
Mas, há já alguns anos que comecei a coleccionar outros postais. Postais meus, que me dizem alguma coisa, que tenham história, paisagens, tradições ou mesmo cenas caricatas de lugares onde vou. Nalguns sítios, trago-os com os carimbados atrás com os carimbos personalizados dos Passes de museus e castelos de cada sítio, só para lhes acrescentar um pouco "dali".
Não os tenho expostos nem nada, nem costumo andar a mostrar e até os guardo enlaçados com estima, como vêm na foto. Mas acho que merecem ser vistos.
São lugares, sítios especiais e nas viagens maiores que fiz, comprei um postal nos lugares onde estava e enviei-o para casa escrito com memórias do dia, na altura parecia estranho, tenho a certeza que o carteiro se deve ter rido, mas agora são as mais lindas recordações que podia ter.
Então decidi partilhar convosco os meus postais, para poderem conhecer novas histórias, ver novas paisagens através desta pequena janela imaginária.
O primeiro que vou partilhar é um que considero muito especial, da cidade onde moro, é uma pintura de Júlio Costa, da Ribeira do Porto. Lindíssimo e verdadeiro, com a alma do Porto viva nas cores, daí o ter comprado e este, de todos os sítios onde estive, é o único que tenho na minha secretária, ao lado da janela, virado para mim :)