Este blogue é um ponto de encontro com amigos desconhecidos que se reconhecem nas palavras e nos gestos, aqueles por vezes tão comuns que deixamos de reparar, até alguém nos voltar a falar deles, como se fosse a primeira vez.

Música

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16 de novembro de 2025

Pedaços



Acordei aos pedaços
E em pedaços adormeci
Pelos anos, pedaços ficaram
Alguns que nunca voltaram
Desbotados, rasgados, apagados
Nunca mais os vi

Pedaços de amor
Pedaços de amizade
Que nunca esqueci
De vida, alegria, saudade
Pedaços que conquistei
E outros que perdi

Pedaços de sonhos,
De memórias e histórias,
Que vi, ouvi, senti
Beijos, sorrisos, abraços
Pedaços de pedaços
Que intensamente vivi
 
Pedaços de nós
Pedaços de ti, de mim
Reencontrados
Inteiros, intactos
Pedaços nossos
Reunidos por fim


S.R.

9 de janeiro de 2023

Até ao fim do Mundo


Voo sem asas
Até ao fim do mundo
para te VER
Mais um segundo

Combato mil batalhas
Nado no mar mais irado
Para ter mais um minuto
QUASE ao teu lado.

Trepo montanhas
Cheias de granizo
Roubo estrelas
Pelo teu SORRISO

Perto de TI
Ardo sem lume
Fervo como um vulcão
Até ao cume

O meu coração dispara
Quando cruzamos o OLHAR
A tua barba ruiva
É FOGO que me faz desejar

Pouso na lua
Apago um quasar
Quero ser TUA
Antes do mundo acabar

Com mil cavalos
Junto às ondas do mar
Agarro o pôr-do-sol
Só para te BEIJAR


S. R.


3 de maio de 2022

Às vezes...

 













Às vezes... 


Às vezes partimos...

porque nos sentimos cansados,

porque nos sentimos confusos ou perdidos.

Às vezes é o tempo que se apaga de nós,

às vezes somos nós que o queremos parar,

ou acelerar...

 

Às vezes fugimos...

porque sentimos que não aguentamos,

e queremos gritar por ajuda,

mas quando tentamos, emudecemos,

e ficamos em silêncio, sentimo-nos sozinhos,

e esquecemo-nos que há sempre alguém,

que nos quer ajudar,

que nos quer estender a mão,

mas nem sempre sabe como,

porque fugimos.

 

Às vezes vamos à procura

do que sentimos que nos falta,

às vezes ficamos mais perdidos,

e demoramos a encontrar-nos...

Às vezes descobrimo-nos,

e ainda somos os mesmos,

outras vezes já não...


Mas a verdade é que quando partimos,

nem sempre vamos embora,

estamos longe, mas não estamos...

 

E às vezes há um dia em que voltamos,

e geralmente voltamos,

voltamos onde éramos felizes,

porque aí,

nesse lugar, que nem sempre é um lugar,

mesmo que o tempo tenha parado ou passado,

sabemos que nos vamos reconhecer,

sabemos como nos encontrar,

e a vida faz sentido

e aos poucos conseguimos levantar-nos.

 

Às vezes temos de estender a mão a quem nos quer ajudar,

às vezes temos que permitir que nos ajudem a levantar,

às vezes temos que aceitar que precisamos do outro,

para voltarmos onde somos felizes,

e continuarmos a estrada da coragem.


Sandra.Reis




9 de abril de 2021

Os teus lábios

 


Surges assim
Tal Príncipe Encantado
A meio dos meus sonhos
Talvez num Cavalo alado
Por entre nevoeiro
E um nascer do sol dourado


Desces, caminhas para mim
De olhar enfeitiçado
As minhas pernas tremem
O coração acelerado
Cada vez mais perto
Chegas ao meu lado

Percorres os meus braços
Com os teus dedos

Dedilhas uma música 
E afastas os meus medos
Agarras-me pela cintura 
Sussurras-me segredos


Olhas-me nos olhos,
Sem os desviar,
Deixas-me sem fôlego 
Sem força, sem ar.
Entre o sonho e a realidade
Os teus lábios desafiam
O campo magnético,
A física e a gravidade

Rufam os corações
Por tão desejosa tormenta,
O ar quente da tua boca
Tatua-me a cada milímetro
Em câmara lenta

E os teus lábios,

Suaves, quentes, 
Pousam, enfim,
A cada recanto do meu pescoço,
Em cada pedaço de mim


Sugas cada um dos meus lábios
Até que os encaixas nos teus
Invades-me com a língua
E danças com a minha
Dentro dum fogo ardente
Que me desarma de tão quente

Os poros do meu corpo
Arfam de desejo ,
Pelo teu amor,

Pelo teu beijo,
Ansiando a liberdade
De tornar o sonho em realidade.  
 
 
S.R. 

 

10 de agosto de 2020

Estrelas

Fotos tiradas por mim    


Estrelas
 
 
Tudo passa,
depressa
ou lentamente,
mas passa,
como um cometa luzente.

Continuamos a caminhada,
e para trás, fica cada pegada.
 
Também as ondas do mar,
levam as estrelas,
e, só às vezes, na areia da praia,
voltamos a vê-las.

E, mais à frente,
também caídas no chão,
estrelas cadentes,
brilham e remendam,
os cacos foscos do coração.


S.R.





23 de abril de 2020

Quando me voltares a beijar


Quando me voltares a beijar



Olha-me nos olhos
antes de me tocar...
Afaga-me a cara
e demora-te no meu olhar...

Quero sentir a brisa quente dos teus lábios,
quero o nó na barriga,
o coração a palpitar,
quero as borboletas no peito,
antes de me voltares a beijar.

Deixa-me ansiar...
Beija-me na testa, na fonte, na bochecha...
Beija-me no nariz, no pescoço, no queixo...
Beija-me, devagar,
Beija-me em cada canto da boca,
e, depois, lentamente,
deixa finalmente,
a tua boca na minha pousar...
E demora-te...
Até não haver mais ondas no mar,
nem nuvens a correr...
Até o ponteiro parar
o tempo...
Até termos a eternidade,
num momento...

S.R:

30 de janeiro de 2020

Doces como Algodão




Brilha cintilante
Ponto por ponto
Na imaginação
Um sonho
Uma constelação

Cavalo alado
Voa sem asas
Crinas onduladas
Pelo vento
Delineadas
Atravessa o tempo
Tal estrela cadente
O rasto de pó entre as pegadas

Num poço de desejos
Uma moeda a tilintar
Por longos beijos
Numa noite ao luar

Moinhos de vento
No topo do coração
Sopram nuvens rosa
Doces como algodão

E ao longo do rio
Segue a corrente
Em ritmo bravio
Ondular fervente

Um búzio guardado pelo mar
Com uma história para contar
Deixa as pedras na areia
Para o caminho de casa encontrar

Mas, sem ele,
Não há caminho
Nem casa para regressar
Distante como uma estrela
Impossível de agarrar
Passou-lhe entre os dedos
Como água do mar

Da noite, deixa o reflexo prateado
E os sonhos de algodão doce
Uma promessa,
Como se ela fosse,
A fechadura sem a chave
Ou a porta sem o puxador
Há décadas, à espera,
da chave perdida e do amor.

...

O tempo passou
E ela nunca se resignou
Nessa persistência, um dia,
A chave perdida ela encontrou

Abriu a porta,
Há décadas trancada
Do outro lado, estava ele
Mas não era só ele que a esperava
Era ela, ela própria,
Que, finalmente, se reencontrava.


Sandra Reis

4 de agosto de 2019

Bailado Inesperado




Num bailado azul
Pode tudo ir com o vento
Estames de dente-de-leão
Soprados em compasso lento
Adagio em Pas de Deux,
Sem pousar os pés no chão

Num bailado cinzento
Pode tudo voar com o vento
No compasso violento
Dum impulsivo furacão
Nas cordas dum violino
Em estridente comoção

Num bailado inesperado
Tão bem coreografado
Prevê-se no cata-vento
A iminente destruição

Mas o amor que me confiaste,
Nem o vento, nem o tempo,
Poderá arrancar do meu coração.


S.R.

27 de julho de 2019

Tons de Liberdade




Borboletas de asas de vidro
Resplandecem na luz
Sem poderem voar
Escondidas no silêncio
De memórias distantes
Com doces ventos a soprar
Tão belos sonhos
Que as fazem ofegar

Numa noite,
Cumprindo a promessa,
O Sol espreita
Com intensidade
E numa chuva de sete cores
As asas de vidro
Transformam-se em pétalas
Com tons de liberdade


Sandra Reis

14 de julho de 2019

Uma Promessa





Uma promessa
Não é feita de palavras
Não se desfaz no vento
Nem expira no tempo

É um gesto
Esculpido no interior
Uma prova intemporal
De honra e amor

É um pedaço de caminho seguro
Algo com que podemos contar
É força, é esperança
Uma ponte a atravessar o mar

Uma promessa
É algo que podemos agarrar
Como um baloiço que nos dá asas
Sem deixar de nos segurar


Sandra Reis

17 de junho de 2019

Um Amor Proibido



"Porque cada poema tem uma história para contar, só temos que a querer ouvir." S.R.


Hoje vou-te dizer um segredo...

Desculpa ter-te mentido
Mas se o dissesse antes ter-te-ia perdido...
 
Não te amo como te disse
Não te amo sem amor
Não te amo sem paixão
Não te amo sem desejo
Não te amo como amigo
Não te amo como irmão
Não te amo como homem
Não encontro explicação

Não te amo como no dicionário
Não encontro uma definição
Não há palavras
Reinventa a imaginação
Não te amo só com o coração
Amo-te com o espírito e a alma
És a minha força e a minha calma
És o meu ar, a minha compleição

És o meu mar e o meu Céu
Completas cada pedaço meu
Agarras a minha mão
Para me salvar
Quando o teu mundo
Está a desmoronar...
Pões-me num pedestal
Mesmo se não devia estar

Dás-me asas para voar
Se estou acorrentada
E mesmo em lágrimas afogada
Sinto o meu coração crepitar
Numa fogueira enfeitiçada
Fazes o meu corpo atear
E o meu sorriso cintilar
Tal centelha encantada
Ouves-me tão longe,
Mesmo se não digo nada

Foram milhares de noites
De olhos no Céu
E sonhos na Lua
À espera do momento
Para voltares a ser meu
E eu poder ser tua

...

E esse momento que parecia chegar
Foi como uma nuvem
Impossível de agarrar... 

Estamos juntos,
Dás-me a mão, apertada,
E um beijo que extingue o Mundo
Mas não me podes dar mais nada...

Um passado que não podemos emendar
Demasiado distante para salvar
Não nesta época...
Não neste tempo....
E a cada abraço só resta acreditar,
Continuar a esperar...
De mão dada,
A inspirar o mesmo ar
De um amor proibido
Pelo tempo...
Pela vida...
Com raízes, sem semente
Tão forte, tão puro, tão crente
E mesmo que seja impossível
Reluzirá eternamente

...

E enquanto esperamos
Por outro tempo
Por outra vida
Trocamos mais um sorriso, um olhar,
Pousamos uma mão na outra
Damos mais um abraço
Para conseguirmos respirar...


Sandra Reis




29 de maio de 2019

Paixão




 Lágrimas quentes
Arrefecem o meu rosto
Lágrimas geladas
Aquecem-me o coração
Rolam
Ondulam
Ininterruptamente
Sobre a minha pele
Fria de tão ardente
Descompassam-se ao cair
Bradam ao tocar o chão
Estilhaçam-se em cacos líquidos
Incendeiam água
Despedaçam asteróides
Em pingos de paixão


S.R.

8 de abril de 2019

Quero-te todo



Quero-te todo…
Com a força dum quasar
A firmeza dum mar irado
O fogo dum cometa gelado
O gemido dum trovão
 
Quero-te todo, sem inibição
Dos pés à cabeça
Da boca ao coração
Com a certeza
E o turbilhão,
Num beijo sem defesa
Num arpejo com paixão

Quero-te todo
Com amor, com prazer
Com magia
Com ciência
De noite e de dia
Sem azáfama
E sem paciência

Quero-te
Quero-me em ti
Aquecer-me na tua pele
Reflectir-me no teu olhar
Respirar na tua pulsação
E em ti ficar, a cada segundo,
Até ao infinito do teu coração.


Sandra Reis