Há quem viaje para se afastar. Eu viajo para procurar,
descobrir, aprender, para ser surpreendida, maravilhada, para me encontrar
comigo própria. O Mundo é o livro mais antigo e valioso que existe, a
cada viagem que faço, desvendo páginas novas de biliões de histórias que jamais conheceria se não estivesse lá, se não fosse, lá, onde elas aconteceram.
Foram 700Kms nesse fim de semana. 376 no sábado e 324 no domingo, não havia muito tempo, mas mesmo assim tentámos e aproveitámos ao máximo, fizesse sol ou fizesse chuva.
Acordámos às 5h no sábado para nos encontrarmos todos
às 6h30 e às 7h saímos do Porto ligeirinhos até à Régua, onde chegámos antes
das 8h para tomar o pequeno-almoço. Daí seguimos sempre pela N222, considerada
a melhor estrada do Mundo, desde o Peso da Régua até ao Pinhão e uma das mais
bonitas também. Com 93 curvas em 27km, foi apelidada, por alguns, de “Route 66”
portuguesa. (Uma fórmula matemática provou que esta estrada é a melhor para
conduzir, tendo em conta o comprimento das retas e o raio das curvas.)
Seguimos a N222 até Foz Côa. As paisagens são qualquer coisa de inexplicável. Sente-se a natureza duma forma muito mais
intensa.
Visitámos vários sítios diferentes durante os dois
dias, cada um deles mais belo que o outro. Foi um passeio fantástico, daqueles que
não queremos que acabem, com amigos chegados, cheio de gargalhadas, daquelas
que fazem doer os maxilares, e paisagens avassaladoras. Uma das melhores que
fiz até hoje!
Deixo-vos com algumas fotos. Mas nada como ir lá, para ver mesmo a 360º, para sentir, para respirar.
Castelo de Numão
Não estava nos planos, encontrámo-lo
devido a um engano no caminho e foi uma bela surpresa. As vistas, o sossego, as
muralhas do Castelo, vale a pena conhecer.
Ruínas do Prazo
Descobri-as no Blogue Olhar d' Ouro.
Foi bastante interessante, estar em contacto com tantas idades da História diferentes, conhecer e descobrir mais sobre todos aqueles que povoaram o mesmo território que nós, um dia. "Profanámos"
alguns túmulos, que ainda questionámos se seriam realmente túmulos ou
bebedouros dado a sua pequenez e estreiteza. Gostei muito das ruínas e de todo o cenário do vale.

Saucelle (Miradouro do Salto)
O que parecia ser um caminho curto, afinal foi um caminho longo devido à enorme quantidade de curvas, mas valeu bem a pena. Atravessando Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta fomos dar a Saucelle e subimos até ao Miradouro do Salto onde as vistas são estrondosas.
E dali voltamos para Foz Côa, pela N325, para ser um caminho diferente. A noite foi passada na Quinta do Chão d'Ordem em Muxagata, um sítio fantástico, dona e funcionária super simpáticas, prestáveis, e um pequeno-almoço de rei, muitos animais, piscina, paisagens lindas....
Chegado o segundo dia, só rezávamos que não chovesse, mas choveu um bocadinho e mais um bocadinho, mas até deu para rir :)
Miradouro de São Gabriel
Saímos de Muxagata em direção a Foz Côa para ir até Castelo Rodrigo. A meio desviamos para o Miradouro de São Gabriel de onde a vista tem 360º e é avassaladora. Ali sim, ouvimos o silêncio.
Castelo Rodrigo
Uma aldeia no topo de uma colina, lindíssima, de tons alaranjados.
"O território de Riba-Côa foi ocupado desde tempos remotos, havendo
vestígios paleolíticos, megalíticos, da cultura castreja, romanos e
árabes (...) Conquistada aos Árabes no séc. XI e dependente do
Reino de Leão, foi vila elevada a concelho por Afonso IX, integrando
definitivamente o território português a 12 de Setembro de 1297, pelo
Tratado de Alcanizes - assinado por D. Dinis, que confirmou o seu Foral
em Trancoso e mandou repovoar e reconstruir o Castelo, ação repetida por
D. Fernando I em 1373. (...) Castelo
Rodrigo está rodeado por uma cintura amuralhada inicialmente composta
por 13 torreões (à semelhança de Ávila). Pelas suas ruas
encontram-se casas interessantes, umas manuelinas, outras construções
árabes, como a casa nº 32, com inscrição e uma carranca, para além da
cisterna, de 13m de fundo, com uma porta em arco de ferradura e outra
ogival. (...) O pelourinho manuelino - de gaiola e
grandes dimensões, atesta o poder municipal, regulamentado pelo foral
novo de 1508, altura em que D. Manuel, o Rei Venturoso, mandou repovoar a
vila e refazer o castelo. (...) Ainda nas lutas contra
Espanha, a vila sofreu em 1664 o cerco do Duque de Ossuna, tendo a sua
guarnição de 150 homens resistido heroicamente até à chegada de
reforços, travando-se a batalha da Salgadela, junto ao Mosteiro de Santa
Maria de Aguiar. Após as Guerras da Restauração, a 25 de Junho de 1836,
por Carta Régia de D. Maria II, a sede de concelho foi transferida
para Figueira de Castelo Rodrigo. Historicamente, nenhuma
povoação raiana exerceu por tão longo período um lugar tão relevante nas
relações Luso-Castelhanas e na defesa do território português."

Reserva da Faia Brava
Depois do almoço e algumas chuvadas seguimos para a nossa última passagem, já conhecida, mas impossível de ignorar, Marialva. Seguindo por uma estrada totalmente desconhecida, acabamos por ir dar a um sítio maravilhoso, toda a paisagem era de cortar a respiração, só quero lá voltar com tempo para conhecer cada pedaço daquele sítio. Fiquei totalmente rendida e sem palavras.
Reserva Faia Brava
Reserva Faia Brava
Castelo de Marialva
E, depois daqueles quilómetros surpreendentes, cheios de fauna e de flora, protegidos e privilegiados, chegámos a Marialva, entre o sol e a chuva, com direito a arco-íris, e fomos visitar mais uma vez o Castelo, como se fosse a primeira vez.
#2 Marialva

Espero que tenham gostado!

























































